Olho pro relógio e sinto sua falta. Em cada coisa errada, cochilo em filme ou arremesso sem destino. Nessas coisas bobas. Nas coisas que fazíamos juntos – poucas, por sinal. Nas que nunca fizemos e não me entristece. Ou nos almoços em família e apresentações erradas.
Nessas coisas que você me ensinou. Na vida de boa moça que eu nunca levei. Nas horas corridas vazias te esperando no sofá. Na casa sempre vazia, te procuro. Acho que ainda espero o interfone tocar enquanto durmo. Sabe, pra um desejo de boa noite e um beijo na testa. Ou um daqueles teus abraços que eram eternos.
E o porque dessas palavras. Elas, assim tão vazias. Que nunca se tornaram reais e nem deveriam. Elas eram lindas assim. São lindas assim. Talvez a realidade tire o encanto das coisas, das horas que não passam sem ti.
Talvez eu perca meu tempo. Ou esses textos que te escrevo pra nunca enviar só ocupem mais um espaço do computador com a intenção de saírem da cabeça. Espaço da minha vida que preciso retomar e me faz falta. E essa tristeza que se soma aos dias de muito trabalho parecia irrisória perto de toda saudade. Ah, como sinto.
Sinto demais por mim. São essas coisas que a gente faz na vida e quer voltar atrás. Acaba voltando. Muitas vezes, até. Pode ser que seja medo. Pode ser que seja uma idéia. Pode ser que não seja. E essa última é sempre minha preferida.
É sempre a mais presente. Tudo por não ser. Tudo por deixar levar. Só quero que me desculpe pelo que eu não te trouxe. Pelo o que eu não consegui fazer. Tenha certeza que isso dói bem mais em mim do que em você.
“Eu quero que você me leve do seu jeito e do seu modo”