domingo, 23 de outubro de 2011

Cores dos verões

Foi só o tempo de colocarmos as coisas no quarto e voltarmos: chuva. Era ela. Nem forte demais pra nos fazer desistir, nem fraca demais pra nos encorajar. Era só assim, duvidosa. Voltamos. Óculos, celulares, dinheiros. Tudo de mais simbólico e secundário ficou. Nós partimos.

Todo o protetor solar foi se perdendo pelo caminho, assim como as janelas que se fechavam e as roupas que eram recolhidas rapidamente pelos varais a fora. Toda a água vinha. Com força, mas não intimidadora. Parecia mais bronca brava de mãe que quer mostrar a coisa certa e não se vingar pelo erro. E a coisa certa era deixar tudo que nos entristecia ali. Indo embora com a chuva. Deixar chover fora e dentro.

E com ele, tudo parecia melhor. O meu sorriso na cara branca com as bochechas rosadas do verão permanecia. O medo da gripe ou da bronca que levaríamos ao voltar pra casa ficou guardado na mala junto com as roupas secas que nos esperavam.

Tudo por um dia de verão que se transformou aos poucos em tempestade e não mudou nossos planos. É que ele me mostrou que teremos sempre vários caminhos. E uma só escolha. O medo pode ficar pra depois.

E assim fomos, eu e papai, apresentar a iluminada cidade ao nosso visitante paranaense, que não se importou em tomar um banho de chuva e acompanhar essa descoberta entre nossos desejos. Os desejos por mais banhos de chuvas e menos inquietações, em peitos agoniados por respostas brandas de mais amor pra depois.