domingo, 3 de julho de 2011

Perdendo horas

Dos cantos que eu carregava no peito vazio de qualquer certeza, dos cantos que eu nunca estive. Dos meus medos que te pareciam tão vagos e das tardes assim chuvosas. Era assim que eu te queria. Nesse meu jeito de te ter tão estranho. Das conversas demoradas enquanto a água corria no chuveiro e a gente se esquecia do mundo.

Enquanto travesseiros se transformavam em canções pros nossos olhos que se perdiam na escuridão do quarto e o sol se punha. Essas palavras, assim, sem muita coisa, assim carregadas de muito tempo sem te ter. Do muito que te trouxe nós dois. Do mundo a que se somavam todas as coisas que nunca mudavam. E a gente continuava a acreditar.

A acreditar na gente. Assim perdidos, assim calmos (eu, menos), assim. Assim tudo errado, que pesava tanto nas horas claras de tudo que eu ouvia. Nas horas que eu não ouvia nada e só sabia doer. Doer por não poder fazer nada e aceitar sempre tudo.

Pelas repetições de palavras tão minhas e tão distantes que eu não entendo. Que eu mesma nunca me entendi, só me estendi entre os teus dedos e me desdobrei sobre o seu caos. Por tudo. Por tudo que eu nunca escrevi e nunca tive vontade. Das aulas perdidas pensando no teu peito farto de ser você, de ser eu. E você. De ser eu assim cansada no teu peito farto de tanta dor.

De sermos nós dois tão pequenos. E incontroláveis. Pra não nos perdermos.

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