Ele sempre se irritou por pouco. Nunca soube valorizar o muito que sua vida lhe trouxe, e achava exagero pensar assim. Era o imperador do nada que tinha, do muito que queria ter e pensava poder pisar em quem com isso não concordasse.
Era o típico malandro conquistador. Facilmente tinha nas mãos as mulheres que seus amigos passariam anos tentando. Só tentando. Mas ele cansava. Ao conquistá-las, percebia que tudo perdia a graça. "Por que tinha que ser tão fácil se no final não teria gosto de vitória?"
Mas as tinha mesmo assim. Pegava em cada mulher um pedaço para obter a mulher perfeita ao final. Era a ideia de procurar em muitas o que não encontrava em uma. Mas mesmo assim pensava em casamento, filhos e vida normal, como todas as outras pessoas. Será?
É que ele sempre fora diferente demais para obter uma família normal. Se bem que tudo é esperado de um engenheiro civil. Ele pensava em projeções e obras. Queria algo concreto.
Sofria ao pensar que essa variedade de mulheres era para espantar uma solidão e uns questionamentos que estariam sempre ali. Queria que a vida fosse como uma planta de um prédio: planejada e organizada, para que no final tudo desse certo. Mas o planejamento da vida estava fora de seu alcance. Sempre pensou demais em si mesmo, e ainda assim, não saía do lugar.
Sua cabeça se confundia e seus pensamento se atiravam em um abismo de incertezas.
Quem inventou essa história de pensar nos outros, provavelmente não alcançou a felicidade própria.
Quem criou a possibilidade de viver através do emocional, ao invés do racional, não entendia como alguém poderia sobreviver sem uma poesia. Mas quem precisa da poesia, afinal?
Quem inventou Deus era fraco demais para suportar uma vida de desgraças. Uma vida de amor e sonhos. Era alguém que não precisava do pecado para ser feliz.
É que pra ele a vida não passaria de uma vida fácil e premeditada. Talvez um dia perceba que viver é mais. E que nada mais é que um sonho de uma noite de verão.
*Agradecimento a Júnior Petry, que invadiu meu computador.
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